terça-feira, 27 de novembro de 2007

Te Navego como a um Rio



Te navego como a um rio
Minha língua; uma jangada
Não há porto nem parada
Deslizo por teu rosto, misturando nossas águas
Sua boca uma cascata
Onde me atiro sem leme
E esse encontro faz tremer
Milhas e milhas abaixo.
Me encaixo.
As horas de tempestade
Te fazem aos poucos riacho
Nele, línguas serpentes se acham.
Sem pressa me afogo
No afago dessa torrente
Quente.
Teu pescoço uma ponte
Que percorro calmamente
Minha boca se dissolve
Em cada pegada molhada
Te beijo, te mordo, te aperto
Tentando engolir a explosão
Agora não!
Pelas ondas dos teus ombros, me assombro.
Incontroláveis gemidos caem como granizo
Gelando meu corpo inteiro
Mais!
No levante deste rio encontro enfim os teus seios
Tornados perfeitos
Me sugam, me destroem
Tonta, me entrego a eles
Os sugo, os destruo!
Língua, dentes, sussurros...
Sou deles
O tempo agora é ninguém
Mas tua Correnteza me leva
Além...
Na calmaria do teu ventre
Não sou mais eu
Estou ausente
Viro um ser de outro plano
Me embriago
Entre tuas pernas naufrago
Morta, me sinto mais viva...
Mordo, me sirvo, me salvo.
Te sinto, te sirvo, te caço
Te amo, te laço, te mato
Choro quando sinto teu gozo
Gozo quando ouço teu choro
Renasço...
E faço o caminho de volta
Sonhando com meu rio sinuoso
E seus inúmeros braços...





5 comentários:

Virginia disse...

Essa poesia é no mínimo, deliciosa...rsss..

seu amor... disse...

Amor, é nesse momento de êxtase que meu rio, numa mágica da natureza, desagua em seu poderoso mar! É uma mistura de águas que só nós conhecemos!

Amei o poema! Obrigada denovo!!
Te amo!

Anônimo disse...

M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A.

Vanessa disse...

Linda, linda demais!!!!!!!!!
beijinhos

Ruy disse...

Este é imbatível. Belíssimo!