segunda-feira, 23 de julho de 2007

Capelinha de Melão


Um Joano e uma Joaninha
Entraram pra casar na capelinha
Capelinha de melão
O padre era um bicho de goiaba
Plácido...
Que enjoou do cheiro doce
E procurou um sabor mais ácido;
O aroma de melão
Onde fez a capelinha
E casou tudo que é ser vivente,
Daquela plantação

Eu era nesse tempo uma perceveja
Apaixonada por uma aranha
Bem caranguejeira
O padre fez contestação
Mulher com mulher dá jacaré!
Caso não!

Chamamos as abelhas feministas
As formigas ativistas
Minha amada ameaçou o padre
Com seu veneno mortal
Sacristão do capeta!
Careta, careta
Fugiu com o circo mambembe
Dos irmãos pulgas pernetas

Eu e minha amada
Desconsoladas
Casamos no informal
Um besouro africano
Fez um tal de ritual
Cruzaram raios no céu
Caíram mortas, as pombas...
Disseram ser coisa do mal.

Casamos assim afinal
E na lua de mel na colméia
Convidadas da rainha
A terra estremeceu
Começou transformação
No primeiro cafuné
O padre vingou maldição
Viramos jacaré

Arrebentamos colméia
Matamos os bichos e as bichas
Viramos predadoras
Hoje vivemos no rastro
Do bicho de goiaba enjoado
Quem passa perto morreu
Somos um circo de horrores
O padre terá morte lenta
Numa noite de lua cheia
Deixaremos orgulhosas
Sua carcaça gosmenta...

4 comentários:

Virginia disse...

Não sei se devo ter mais medo das fofoletes assassinas ou das jacareas...

Fernanda Passos disse...

Ontem eu li esse na comunidade. pena que não pude comentar. Chegaram antes de mim. :(
Uma saga feminista bem feminina e vingativa.hehehe.
Lindo.
Bjs.

Márcio disse...

Nunca pensei que teria medo de uma história com bichinhos! Adorei!!!! Tá linkada lá no meu tbm, viu?

Viv disse...

Lindo e ao mesmo tempo pavoroso!! rsrsrs
Essa é vc minha Loli...